Construtivismo x Construcionismo
Apesar de serem abordagens educacionais que compartilham ideias similares, Construtivismo e o Construcionismo possuem algumas diferenças, as quais vou explicar a seguir.
Atualizado em 05 out. 2024 | Juliana T. Kuchla
O Construtivismo e o Construcionismo são abordagens educacionais que compartilham a ideia de que o conhecimento é construído ativamente pelos aprendizes, mas diferem em suas ênfases. O construtivismo, associado a Piaget, foca no processo interno de aprendizagem, onde o indivíduo constrói seu conhecimento a partir de interações com o ambiente e experiências pessoais. Já o construcionismo, de Papert, vai além, enfatizando a aprendizagem através da criação de artefatos concretos no mundo, como projetos ou produtos tangíveis, e valoriza a interação social e o uso de ferramentas digitais para facilitar esse processo criativo.O objetivo inicial de Piaget era compreender como se desenvolve a inteligência e o pensamento lógico da criança independentemente do ensino ou da interferência da escola. Piaget começou a trabalhar no laboratório de psicologia experimental do psicólogo infantil Alfred Binet, dedicando-se à criação e aplicação de testes de leitura em crianças parisienses e crianças com deficiências mentais. Os erros que elas cometiam despertavam seu interesse pelo processo cognitivo infantil - ato de adquirir um conhecimento.
Para Piaget, o desenvolvimento humano obedece certos estágios hierárquicos, que decorrem do nascimento até se consolidarem por volta dos 16 anos. A ordem destes estágios seria invariável e inevitável a todos os indivíduos. Para Belo & Brandalise (2011), estes estágios são:
- Estágio sensório-motor (do nascimento aos dois anos) - a criança desenvolve um conjunto de "esquemas de ação" sobre o objeto, que lhe permitem construir um conhecimento físico da realidade. É um período anterior à linguagem.
- Estágio pré-operatório (dos dois aos seis anos) - a criança inicia a construção da relação causa e efeito, bem como das simbolizações. É a chamada idade dos porquês e do faz-deconta. Caracteriza-se pelo surgimento da capacidade de dominar a linguagem.
- Estágio operatório-concreto (dos sete aos onze anos) - a criança começa a construir conceitos, através de estruturas lógicas, consolida a conservação de quantidade e constrói o conceito de número. Seu pensamento apesar de lógico, ainda está centrado nos conceitos do mundo físico, onde abstrações lógico-matemáticas são incipientes.
- Estágio operatório-formal (dos onze aos dezesseis anos) - fase em que o adolescente constrói o pensamento abstrato, conceitual, conseguindo ter em conta as hipóteses possíveis, os diferentes pontos de vista e sendo capaz de pensar cientificamente.
O aluno não necessitar aprender o máximo de conteúdos clássicos, como propõe a escola tradicional, mas aprender aquilo que lhe é útil para a adaptação ao meio.
- A ciência é uma criação do espírito humano;
- A aprendizagem deve ser ativa e internamente construída pelo aluno e não completamente explicada por outros;
- o aluno ocupa o papel central, é o protagonista do processo de aprendizagem;
- o professor é um facilitador, um mediador e um orientador durante a aprendizagem, que é construída pelo aluno.
- O professor contextualiza diferentes situações, e o estudante precisa encontrar soluções, e desta forma, ele constrói o conhecimento;
- A criança constrói significados a partir das suas experiências;
- O nível de cada estudante é respeitado, com base em seus estágios de desenvolvimento;
- O ensino é um processo dinâmico, em que o aluno interage, e não estático, como acontece com frequência nos métodos tradicionais de ensino;
- O aprendizado é uma construção gradual, e cada novo conhecimento é adquirido a partir de conhecimentos anteriores. As ideias prévias dos alunos desempenham um papel importante no processo de aprendizagem.
- Precisamos entender o problema antes de considerar a utilidade de cada teoria científica.
O Construcionismo
Em 1963, Papert passou a atuar como pesquisador do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, tornando-se professor de matemática aplicada nesta mesma instituição, sendo nomeado codiretor do Laboratório de Inteligência Artificial, do qual, posteriormente assumiu a direção no ano de 1967, onde permaneceu até 1981. Na década de 1960, mais precisamente entre os anos de 1967 e 1968, Papert, juntamente com outros pesquisadores, desenvolveram a linguagem de programação LOGO. O objetivo era propiciar às crianças o controle do computador, permitindo que as crianças programassem a máquina, em vez de serem programadas por ela. Em 1985, Papert se tornou membro fundador do MIT Media Lab, liderando o grupo de pesquisa Epistemology and Learning, e iniciou uma colaboração com a empresa LEGO, que posteriormente se tornou uma das maiores patrocinadoras deste laboratório. A partir dos anos 1990, Papert se dedicou a diversos projetos envolvendo jovens que necessitavam de apoio.Mas o foco aqui é a sua teoria.
Seu objetivo foi desenvolver uma teoria que pudesse embasar a utilização do computador na educação. Ele cunhou esse termo em 1986 e tomou como base a perspectiva construtivista de Piaget. Primeiro, o aprendiz constrói alguma coisa ou seja, é o aprendizado através do fazer, do "colocar a mão na massa". Segundo, o fato de o aprendiz estar construindo algo do seu interesse e para o qual ele está bastante motivado. Desta forma, o envolvimento afetivo tornaria a aprendizagem mais significativa.
Enquanto muitos viam o computador como um possível substituto aos professores, Papert acreditava no computador como uma máquina de ensinar, e refletia sobre como os computadores poderiam ser inseridos no mundo da educação. Para ele, a aprendizagem é facilitada quando ocorre através de uma dinâmica de modelos e assimilação. Os modelos facilitam o acesso a ideias abstratas.
“qualquer coisa é simples se a pessoa consegue incorporá-la ao seu arsenal de modelos, caso contrário tudo pode ser extremamente difícil."
"O que o indivíduo pode aprender e como ele aprende isso depende dos modelos que tem disponíveis."
Outra crítica apontada era sobre a educação escolar, e a sua tendência ao modelo tecnicista, que reduz a aprendizagem a atos técnicos, cavbendo ao professor o papel de transmissor de informações, e os alunos apenas receptores. Neste sentido, Papert considerava que o professor poderia utilizar o computador como uma ferramenta para auxiliar no processo de aprendizagem, implementando uma aprendizagem cooperativa, em que cada um contribuiria com o que sabe, num ambiente em que todos são aprendizes, inclusive o próprio professor.
- As pessoas constroem ativamente o seu conhecimento, isto é, conhecimento não é transmitido.
- O professor atua como mediador, não apenas um transmissor do conhecimento pronto.
- A possibilidade de articular os processos do pensamento permite aprimorá-los, isto é, a visualização e a manipulação das estratégias permite otimizá-las.
- O aprendizado de um conceito está relacionado com a sua estrutura, isto é, o aprendizado de alguns conceitos e a possibilidade de combiná-los facilita o aprendizado de outros conceitos.
- O aprendizado é influenciado pelo ambiente. Algumas dinâmicas e contextos facilitam a percepção e a construção de determinados conhecimentos, atitudes e procedimentos.
- O erro também é valorizado. O aprendizado se dá através da construção de uma série de teorias transitórias. Os erros dos indivíduos são tão importantes quanto seus acertos para o processo de aprendizagem. Enquanto os acertos representam situações de relativa adequação do conhecimento do indivíduo com relação às coisas do mundo, são os “erros” que questionam esta estabilidade e agem como a força motriz do processo de aprendizagem. Os erros são vistos como pontos de reflexão.
Em resumo:
O aprendizado ocorre de forma mais eficaz quando os alunos constroem artefatos tangíveis, explorando ideias de maneira prática e criativa.
Você já deve ter percebido que o construcionismo é uma extensão do construtivismo. Enquanto o construtivismo de Piaget enfatiza que o conhecimento é construído internamente pelo indivíduo por meio de suas interações e experiências, o construcionismo de Papert complementa essa ideia, defendendo que o aprendizado é mais eficaz quando os alunos constroem artefatos concretos, permitindo que explorem ideias de maneira prática e criativa. Ambos compartilham a visão de que o aprendiz é ativo, mas o construcionismo destaca a importância da criação no processo de aprendizagem.

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