Considerações sobre a IA na Educação

 ARTIGO DE OPINIÃO

Juliana T. Kuchla  |  08 abr. 2025


Imagem: Freepik

Considerações sobre a Inteligência Artificial (IA) na Educação

A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente no cotidiano das pessoas e, inevitavelmente, será incorporada de forma crescente nos ambientes educacionais. Sua presença na educação é promissora, sobretudo por seu potencial de personalizar a aprendizagem, ampliar o acesso ao conhecimento e apoiar práticas pedagógicas inovadoras. No entanto, essa inserção também levanta uma série de implicações que precisam ser cuidadosamente consideradas.

Um dos principais desafios diz respeito à literacia digital dos jovens. Apesar de serem nativos digitais, muitos estudantes não possuem competências básicas de leitura, interpretação de dados e produção textual, tampouco desenvolvem cálculos com autonomia. Como esperar que esses estudantes utilizem a IA de forma produtiva, se não dominam as habilidades necessárias para elaborar prompts coerentes e objetivos, fundamentais para interagir eficazmente com essas ferramentas?

Outro fator preocupante é o impacto das mídias sociais na formação intelectual dos jovens. O consumo constante de conteúdos prontos, curtos e superficiais reduz a capacidade de raciocínio, a criatividade e a resolução de problemas — competências essenciais para o uso crítico da IA. Se o estudante não desenvolve leitura crítica, como poderá avaliar a veracidade, a qualidade e a utilidade das informações geradas por essas plataformas, que, muitas vezes, respondem com base em suposições, conforme a formulação do prompt?

Essa realidade não se restringe apenas aos estudantes. Muitos professores também enfrentam dificuldades em lidar com as novas exigências tecnológicas, tendo o hábito — naturalizado pelas pressões do cotidiano escolar — de recorrer a conteúdos prontos e pouco contextualizados. Contudo, a utilização eficaz da IA exige capacidade analítica, elaboração de comandos claros e objetivos (prompts), e interpretação criteriosa dos resultados. Sem essas competências, o uso da IA pode se limitar à reprodução de práticas tradicionais, sem qualquer ganho real na aprendizagem.

Diante disso, o grande desafio da atualidade é promover uma formação que municie professores e alunos com os conhecimentos e habilidades necessários para uma utilização crítica, ética e produtiva da inteligência artificial na educação. Sem esse preparo, corre-se o risco de que as tecnologias, em vez de promoverem avanços, aprofundem desigualdades e reforcem práticas superficiais de ensino e aprendizagem.


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