Expectativas dos pais sobre o futuro dos filhos
"Depois que publicaram uma matéria dizendo que as crianças que gostam de dinossauros são mais inteligentes, todas as mães passaram a comprar dinossauros para os filhos. A gente vive em uma sociedade onde parece que todo mundo quer que os filhos gostem de dinossauros ou brinquem de ser médicos..."
Relato de uma mãe, em uma festa de aniversário.
A fala desta mãe merece atenção. Ela surgiu em uma conversa entre mães, informal, no meio de uma festa de aniversário. Uma das mães, ao ver uma criança brincando com um dinossauro de brinquedo comentou: sabiam que segundo pesquisas, a criança que brinca com dinossauros é mais inteligente?
Naquela hora, pensei nas mães das crianças que gostam de homem aranha, carrinhos ou bola de futebol. No fundo, comentários como este nos fazem refletir sobre uma questão muito importante: afinal, por que rotulamos tanto as crianças? Não estamos muito ansiosos em relação ao futuro dos nossos filhos, ou sobre quem eles são e serão? E qual é o ponto de equilíbrio entre o educar e o impor?
Logo que nasce um filho, nascem as expectativas, os sonhos e muitas idealizações de um futuro distante. Queremos o melhor para os nossos filhos. Queremos que eles sejam os melhores. Que aprendam a andar, falar, ler e escrever e tenham um ótimo desempenho na escola. Que sejam adultos bem sucedidos, e escolham uma boa profissão.
Mas espera. E se tudo correr conforme o não planejado? E se ao longo do caminho, nossos filhos demorarem mais para andar e falar? E se tiverem dificuldades na matemática? E se não gostarem das aulas de música e se decidirem em não seguir a profissão que os pais idealizaram como a melhor opção?
Não é sobre dinossauros. É sobre expectativas. Queremos filhos calmos, amáveis, obedientes, que sigam a melhor profissão. Aí surge uma publicação dizendo que a criança que gosta de dinossauro é mais inteligente. O que muitos pais pensam? Pronto, vamos incentivar os nossos filhos a gostarem de dinossauros. Buscamos as melhores referências, não é assim?
Ah, e sabe aquela profissão superestimada pela sociedade, que ganha-se muito bem? Que dará status social? Então. Basta incentivar a criança a seguí-la. Pronto. Como uma vez me disse um pai: "Eu invisto em boas escolas, pois no dia que minha filha quiser fazer uma medicina, estará preparada". A medicina. Claro...
Ou então, sabe a Clarinha, que ama brincar de construir? Vai ser uma ótima engenheira.
Nada contra qualquer profissão. Precisamos de médicos. Assim como precisamos de engenheiros, pedreiros, carpinteiros, cabeleireiros e padeiros. Todos são essenciais. Todos têm a sua importância. Bingo! É o que devíamos dizer aos nossos filhos: todas as profissões são importantes, e a sua escolha um dia será importante!
A grande verdade é que na infância, é comum a criança experimentar, brincar, simular. O faz de conta abre um universo, onde a criança vive o diverso. Ela pode ser tudo: o astronauta, o médico, o cozinheiro, o dentista, o veterinário. Para a criança, isso compreende o aprender, o vivenciar, o imaginar e desenvolver. Ainda não é uma fase das escolhas.
Sabem o resultado disso tudo? Uma corrida. Uma competição inconsciente entre pais, que comparam o tempo todo os seus filhos. Pais que influenciam os filhos nas suas escolhas desde muito pequenos. Que têm pressa, para suprir as expectativas de que os seus filhos serão os melhores. Que medicam a criança agitada para ela se acalmar. Afinal, o que importa são os padrões...
Repito: não é sobre os dinossauros. É sobre a criança que não gosta dos dinossauros, mas foi rotulada. Ela também é inteligente, também terá capacidade tanto quanto a outra, mas prefere outro brinquedo. Porque no fundo, independente de dinossauros, homens aranhas, ser médico ou artista, cada qual é único e especial.
Mas como pais, não podemos influenciar os filhos, e ajudá-los nas suas escolhas?
Bom, cabe a nós como pais incentivá-los a serem os melhores em suas escolhas, reconhecer e apreciar as suas qualidades e incentivar as suas decisões e seus sonhos. Isso significa não impor, não julgar, não buscar padrões.
Nós como pais, temos uma missão importante: estar por perto, dar apoio, orientar e fazer os filhos compreenderem que neste mundo, somos todos diferentes, mas igualmente importantes! Sem limitar, sem impor.
Mas para isso, nós precisamos valorizar as diferenças. É uma tarefa que começa dentro de casa, ao entender que nossos filhos também são diferentes de nós.

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