Os efeitos da negligência no desenvolvimento infantil
Pesquisas sobre desenvolvimento infantil mostram que a negligência significativa, ou seja, a interrupção contínua ou a ausência significativa de capacidade de resposta dos pais/cuidadores, pode causar danos mais duradouros ao desenvolvimento de uma criança pequena do que o abuso físico evidente, incluindo atrasos cognitivos subsequentes, deficiências no funcionamento executivo e perturbações na resposta do corpo ao estresse.
Como se define a negligência
Seres humanos necessitam de interações
A necessidade de interagir está embutida na nossa biologia. O desenvolvimento bem-sucedido na infância requer relacionamentos responsivos e ambientes de apoio. Logo após o nascimento, as crianças dependem das interações do tipo "servir e retribuir" com os adultos para a formação de conexões neurais e os circuitos do cérebro em desenvolvimento. Ao longo dos próximos meses, os bebês procuram um maior envolvimento através de balbucios, choro e expressões faciais, cabendo aos adultos a tarefa de "devolver" estes estímulos com vocalização e expressividade semelhantes. Estas trocas recíprocas e dinâmicas moldam a arquitetura do cérebro.
Imagem: Freepik.com
Como se define a negligência
Negligência é uma das formas de maus-tratos contra crianças e adolescentes. A OMS (Organização Mundial da Saúde) define negligência como falhas ou omissões dos cuidadores em proporcionar, quando estão da posição de o fazer, o desenvolvimento da criança nas seguintes áreas: saúde, educação, desenvolvimento emocional, nutrição, abrigo e segurança. Negligência distingue-se da situação da pobreza, já que ela pode ocorrer em ambientes onde há recursos razoáveis disponíveis.
Biologicamente, a negligência ocorre quando não recebemos aquilo que o cérebro está preparado para receber, aquilo que naturalmente o cérebro espera receber, que é a contribuição daqueles que nos rodeiam para o nosso desenvolvimento.
Seres humanos necessitam de interações
A necessidade de interagir está embutida na nossa biologia. O desenvolvimento bem-sucedido na infância requer relacionamentos responsivos e ambientes de apoio. Logo após o nascimento, as crianças dependem das interações do tipo "servir e retribuir" com os adultos para a formação de conexões neurais e os circuitos do cérebro em desenvolvimento. Ao longo dos próximos meses, os bebês procuram um maior envolvimento através de balbucios, choro e expressões faciais, cabendo aos adultos a tarefa de "devolver" estes estímulos com vocalização e expressividade semelhantes. Estas trocas recíprocas e dinâmicas moldam a arquitetura do cérebro.
Se as respostas dos adultos forem inadequadas ou simplesmente ausentes, os circuitos cerebrais em desenvolvimento podem ser perturbados e a aprendizagem, o comportamento e a saúde subsequentes podem ser prejudicados. É por essa razão que manter a criança isolada, ou oferecer apenas objetos ou eletrônicos para distração podem não contribuir nesta fase para o seu desenvolvimento.
Outra questão são os cuidadores: é preciso pensar nas pessoas que cuidam dos nossos filhos, de forma a garantir que essas pessoas interajam ativamente com as crianças. Muitas vezes os pais recomendam as babás mais sobre questões de alimentação e higiene, mas esquecem das questões relacionadas às interações, à atenção, às brincadeiras, ao olho no olho.
Além disso, precisamos também pensar a nível das instituições, como creches ou pré-escolas. Se nestes ambientes houverem muitas crianças e poucos cuidadores, e nenhuma relação individualizada que seja responsiva, as necessidades básicas de sobrevivência estarão sendo satisfeitas mas a falta de capacidade de resposta individualizada pode levar a graves prejuízos no desenvolvimento psico-social, físico e cognitivo da criança.
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Os efeitos da negligência
De acordo com o Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard, crianças pequenas que experimentam uma capacidade de resposta significativamente limitada dos pais e cuidadores podem sofrer uma série de consequências adversas para a saúde física e mental que, na verdade, produzem deficiências de desenvolvimento mais generalizadas do que o abuso físico evidente.
Os prejuízos da negligência podem variar de intensidade e acontecer a curto, médio ou longo prazo. É possível identificar alguns sinais na criança negligenciada, tais como:
- desnutrição;
- atraso no desenvolvimento psicomotor e crescimento físico;
- desidratação;
- doenças crônicas;
- alterações comportamentais;
- acidentes domésticos frequentes;
- atrasos cognitivos;
- deficiências nas funções executivas e nas habilidades de autorregulação;
- perturbações na resposta do corpo ao estresse.
O quadro abaixo mostra os efeitos da privação grave e da negligência no desenvolvimento infantil, de acordo com o Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard:
É importante compreender que simplesmente retirar uma criança de um ambiente insuficientemente responsivo não garante resultados positivos, quando esta passou por um período de privação grave. Nestes casos, normalmente elas necessitam de intervenção terapêutica e cuidados de alto apoio para minimizar os efeitos adversos e facilitar a recuperação, e quanto mais precoce essa intervenção, maior a probabilidade de alcançarem resultados positivos a longo prazo.
As pessoas do círculo próximo da criança, desde outros familiares, creches e escolas, pessoas relacionadas aos cuidados de saúde primários, são fundamentais para a identificação mais precoce possível das famílias que necessitam de assistência preventiva, bem como das crianças que necessitam de intervenção terapêutica.
Em muitos casos, a negligência infantil ocorre em conjunto ou como consequência de outros problemas familiares (perturbações de saúde mental dos pais e dependências). Desta forma, é importante identificar e abordar circunstâncias negligentes para crianças pequenas, de forma que as políticas e programas busquem atuar em intervenções preventivas nas situações de alto risco.
No caso de instituições que não ofereçam uma abordagem mais individualizada com as crianças, também é necessária uma intervenção e remoção precoce para um ambiente atencioso e socialmente responsivo.
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Mais informações: Centro para a Criança em Desenvolvimento (2013). A Ciência da Negligência (InBrief). Obtido em www.developingchild.harvard.edu .



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