Suécia Reverte Digitalização nas Escolas e Retoma Papel e Caneta

Após anos de implementação massiva de tecnologia, país percebe impactos negativos no desenvolvimento de competências básicas e adota abordagem analógica na educação infantil. É preciso "regressar ao essencial", afirma o ex-ministro da Educação Johan Pehrson

09 set. 2025

Foto: Freepik


Estocolmo
— A Suécia, pioneira na digitalização da educação, está a repensar o uso excessivo de tecnologia nas escolas. Após mais de uma década de integração de dispositivos digitais, o país reconheceu que a dependência de telas prejudica habilidades essenciais de leitura e escrita nas crianças.

O ex-ministro da Educação, Johan Pehrson, admitiu que houve ingenuidade: “Fomos muito ingênuos… pensamos que quanto mais telas, quanto mais plataformas digitais utilizássemos, melhor sistema educativo teríamos.” Hoje, o foco está em fortalecer competências fundamentais nos alunos mais novos: “Estamos a voltar ao que é essencial, ao papel e à caneta, e aos livros em papel para os mais novos.”

Embora as plataformas digitais ofereçam vantagens, como permitir aos pais acompanhar melhor a escola, Pehrson alerta que “há uma visão geral que se perde quando não se tem um livro e uma educação mais tradicional” e que as redes sociais estão “a envenenar a geração mais jovem”.

A medida será implementada gradualmente até 2027, abrangendo também o ensino secundário. O governo sueco investirá milhões em recursos analógicos, garantindo que cada aluno tenha acesso a livros físicos e promovendo exercícios de escrita manual.

O exemplo da Suécia serve de lição para outros países, onde o debate sobre a digitalização da educação continua. Especialistas defendem que o equilíbrio entre métodos digitais e analógicos é essencial para o desenvolvimento integral dos estudantes.

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