Pensamento Computacional: uma nova realidade nas escolas
Antes de começar, é importante esclarecer que não estamos falando sobre como dominar o uso das tecnologias. Nem sobre aprender computação. O Pensamento Computacional (PC) é uma habilidade fundamental para o desenvolvimento de soluções eficientes, e também uma ferramenta poderosa para o aprendizado em diversas disciplinas, preparando pessoas para lidar com desafios complexos de forma lógica e estruturada. É sobre pensar, raciocinar, solucionar problemas.
A ideia não é recente. O primeiro a usar o termo pensamento computacional foi o matemático e cientista da computação sul-africano Seymour Papert (1928-2016), criador do Construcionismo, cujo trabalho foi fundamental para a introdução de diversas tecnologias nas salas de aula, como os robôs. No ano de 2006, Jeanette Wing apresentou o termo “Pensamento Computacional” como uma habilidade fundamental a todos e que envolve a resolução de problemas, o desenho de sistemas, a compreensão do comportamento humano, recorrendo aos conceitos fundamentais das ciências da computação.
Ver: Um breve histórico do Pensamento Computacional
Ou seja, o pensamento computacional não refere-se somente às habilidades de utilizar os dispositivos e softwares, mas sim na capacidade de raciocinar diante de situações e problemas e encontrar soluções, e a essência deste conhecimento pode ser utilizada em qualquer campo do saber.
Diversos países na América e Europa já têm uma experiência da inserção do PC no currículo da educação básica há alguns anos. Em muitos casos, surge como uma área transversal a ser integrada nas disciplinas de matemática ou com as ciências, por exemplo.
Para as séries iniciais, é possível trabalhar o PC através de atividades desplugadas (unplugged) e robótica, nas quais os alunos desenvolvem habilidades como a criatividade, cognição, pensamento lógico e a autonomia enquanto se divertem. Nos anos finais da educação básica, os alunos podem atuar como os construtores do próprio conhecimento, mas isso vai muito além da programação.
Aliás, é preciso desmistificar essa crença de que o PC está relacionado apenas a informática e a robótica. Ele envolve um conjunto de habilidades e processos de raciocínio que podem ser aplicados a uma ampla gama de disciplinas e situações cotidianas, não se limitando ao campo da programação ou da ciência da computação. Embora tenha suas origens na informática, o PC é uma forma de raciocínio que pode ser usada para resolver problemas de maneira lógica, sistemática e eficiente em diversas áreas do conhecimento.
Outro ponto importante é a natureza interdisciplinar do PC, que se deve ao fato de integrar diferentes áreas do conhecimento. A matemática, a biologia, a engenharia, a psicologia, e até as artes visuais podem se beneficiar dos princípios computacionais para inovar e resolver problemas de maneira mais eficaz. Na educação, a capacidade de usar o pensamento computacional em diferentes disciplinas estimula o desenvolvimento de habilidades de pensamento crítico e analítico.
Como promover o pensamento computacional nas escolas?
Diversas são as possibilidades, entre elas:
a) atividades unplugged, sem o uso de tecnologias, associadas com as disciplinas de matemática e ciências, por exemplo;
b) através da literacia digital dos alunos, onde antes de ensinar a utilizar as tecnologias, desenvolve-se a educação digital dos alunos adaptadas à cada faixa etária;
c) ensino da programação e robótica, capazes de desenvolver a autonomia, criatividade e o raciocício lógico.
Próximo: O Pensamento Computacional no contexto escolar
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Veja também: As dimensões do Pensamento Computacional

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